Poema Para Castro Alves Para Antonio de Castro Alves (1847/1871) In Memoriam “Depois dos Navios Negreiros /Outras correntezas” (Um Trem Pras Estrelas) - Cazuza, Gilberto Gil ......................................................................... Castro Alves, Castro Alves Os navios negreiros agora são outros Os periféricos escravos terceirizados também E todos sobrevivemos a um “salve geral” Em mares bravios de urbanas irrazões; de dezelo público Imbecilizadas humanas alojadas em estrumes palaciais Entre espumas flutuantes de cervejas e esgotos, em chorumes... Castro Alves, Castro Alves Os românticos hoje estão com AIDS E se dopam e se prostituem entre carentes (Do infame capitalhordismo americanalhado) Ou são emos que se poluem em tantos antros neomalditos Afrobrasilis descendentes no sórdido neoliberalismo De aspones entre usuários de craks, em cachimbos marginais... Castro Alves, Castro Alves O índio, o negro – quem não somos – Na mestiçagem de pobres amalgamados também Seres irados que danças como se hienas Todos filhos desse solo, dessas seqüelas históricas, desenredos Entre palácios de corvos do arbítrio e riquezas amorais Samparaguai não conduz; é conduzido pelo crime organizado... Castro Alves, Castro Alves Tudo é nojo, luto, falso - um horror A injusta Pátria-Nada é só remorso oficial “O auriverde pendão de minha terra” balança, balança Mas nos perdemos de nós, perdemos a fé, perdemos a esperança De sermos parecidos com um país, um povo, uma nação Terra de ninguém, explorados nessa pindorama de maracangalhas... Castro Alves, Castro Alves Áfricas tropicais com suas gomorras De palafitas, favelas, guetos, becos, cortiços E vamo-nos poetas malditos sem fúria; sem compromisso Que não o de te lembrar com tristeza em cantagonia e temor Há corrupção e impunidade sistêmicas, um horror Pobres boiando em senzalas dos Sem Terra, Sem Pão, Sem Cor... -0- (2011 – 164 Anos do Nascimento do Poeta Castro Alves, que morreu aos 24 Anos em Salvador, Bahia) (*)-Poema da Série “Recebe o Afeto Que se Encerra”, livro inédito do autor – Outono, Vila Sonia/Butantã/Samparaguai -0- Silas Correa Leite – De Santa Itararé das Artes, Sudoeste do Estado de São Paulo/Divisa com o Paraná, E-mail: poesilas@terra.com.br Site: www.portas-lapsos.zip.net
Escrito por zanzes às 20h10
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Entre livros nasci. Entre livros me criei. Entre livros me formei. Entre livros me tornei. Enquanto lia o livro, lia-me, a mim, o livro. Hoje não há como separar: O livro sou eu. (Inajá Martins de Almeida)
Escrito por zanzes às 19h15
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