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Blog de Campo de Trigo Com Corvos (Livro de Contos de Silas Correa Leite)
 


REBENTO


"Rebento, substantivo abstrato

O ato, a criação e o seu momento

Como uma estrela nova e o seu barato que só Deus sabe lá no firmamento...

Rebento, tudo que nasce é rebento

Tudo que brota, tudo que vinga, tudo que medra

Rebento raro como flor na pedra

Rebento farto como trigo ao vento

Outras vezes, 'rebento' simplesmente

No presente do indicativo

Como a corrente de um cão furioso

Como as mãos de um lavrador ativo

Às vezes, mesmo, perigosamente como acidente em forno radioativo

Às vezes, só porque fico nervosa, eu 'rebento'

Ou, necessariamente, só porque estou viva

'Rebento', a reação imediata

A cada sensação de abatimento

Eu 'rebento' e o coração dizendo: bata!

A cada bofetão do sofrimento

Eu 'rebento' como um trovão dentro da mata

E a imensidão do som desse momento..."

(Gilberto Gil)



Escrito por zanzes às 10h48
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Minha Poesia




“Minha poesia/É a minha salvação/Quando escrevo é uma forma de prece/Não necessariamente pedindo perdão/Minha poesia/É o meu silêncio/Meu encontro com Deus sem levitação/Quando escrevo é o meu espírito em ação/Minha poesia/É que me salva de mim/Para depois eu suportar a existencialização/Como a água que se transforma em vinho e pão/Minha poesia/É também a minha voz e a minha luz/Mergulho nela para ficar limpo e são/Porque escrevendo eu estou em oração...”
Silas Correa Leite – Santa Itararé das Artes, Cidade Poema
Site:
www.itarare.com.br/silas.htm
E-mail: poesilas@terra.com.br
Blogue premiado do UOL:
www.portas-lapsos.zip.net



Escrito por zanzes às 10h20
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Causo do CAF – No Tempo da Brilhantina

 

Anos 60. Ou anos 70 e lá vai pedrada, andorinhas sem breque à arte? Pois é. Bailão no Clube Atlético Fronteira. Conjunto Os Marionetes no auge. Aristeu Sabiá show e simpatia. O Izzo cantando Reflexos da minha Vida. Ou Golden Slumbers. Nenê Biglia na batuta e no pistom com surdina. Eu estava na flor da idade. Cabelo na testa, botinha sem meia, calça calhambeque, Bar do Calixtrato. Sim, eu era um guri que também amava Os Beatles e Tonico e Tinoco. Iê-Iê-Iê (Jovem Guarda), rocks, fox-trots, charlestons.  Noite de sábado de abril beirando maio. Crush, camisa Volta ao Mundo e as gurias pedaçudas de saia ban-lon.

 

Acabou o baile, o Dr. Celso Pelissari no glamour de um tempo que era presidente exemplar do CAF, fechou as portas do majestoso clube e lá se foi dormir que, cansado e maleixo que estava, mesmo adorando o alvi-rubro tinha que se recompor da estafante organização do forfé todo. Quase quatro da madrugada. Lua cheia feito nave nau no céu jade da Estância Boêmia de Itararé. Ventinho silvestre batendo nos calipiás. Frio lazarento. O Veio Biscoiteiro já guardando lugar na Fila do INPS.

 

Malemal dormiu a pólvora de um soninho rápido de duas horas e meia se tanto, e toca o bendito do roufenho telefone de gancho preto. –Pois não? – Com amuada voz de taquara rachada e mortengo de cansado, o Dr. Celso identifica o número chamado. 

 

-Seu Celso Pelissari?

 

-Sim? Pois não? Quem é? Respondeu solícito, cândido, o Diretor do Clube Atlético Fronteira no recesso de sua casa.  

 

-Olá Seu Doutor Celso. Adesculpe o inoportuno do tempo, aqui é o Tareco.

 

-Oi Tareco! Tudo bem? Qual é o problema a essa hora? Dor no canal do siso?

 

-Não, Dr. Celso, é que eu queria saber direitinho a que horas o sr vai abrir o Clube?.

 

-Ah, bem: eu muito bem sei o quanto você adora o nosso glorioso Fronteira, caro Tareco, mas ainda é muito cedo, rapaz. Sossegue o facho. Espere um pouco. Tenha paciência no seu siricotico. Onde já se viu isso? E vê se me liga mais tarde, tá bem? Bom dia para você meu querido.

 

E desligou encafifado que a patroa tava dando pito pelo guaiú matinal. Correu depressinha atrás do calor da colcha de retalhos. Desmaiou no sono de novo.

 

Trimmmmmmmmmm!!!

 

Toca de novo o estrupício do telefone. Será o impossível? O cuco marcava oito da manhã. O solzinho merreca a se encrespar na crista da aurora distante, prometia calor de arrebentar caroço de mamona. O Neco Marcondes, com gadeia de glostora já passava assoviando um blues, com a sua carrocinha de padeiro, deixando o cuque de fubá salgado, o pão sovado, o pão bundinha.

 

-Pois não? Alô? Quem tá falando?

 

-Olá Seu Celso Pelissari. Sou eu de novo, o Tareco.

 

-Olá Tareco. Que insistência é essa? Isso é que é ser fanático pelo Clube Atlético Fronteira. Qual é o problema agora? Tem cabimento?

 

-Olá Dr. Celso, é que eu queria saber a que horas o senhor vai...

 

Corte rápido.

 

-Tareco, me perdoe, mas você lamentavelmente vai ter que esperar um pouquinho mais, é muito cedo ainda. Que entojo de pressa é a sua, hein? Hoje é domingo. Eu ainda estou desacorçoado. Tenha santa paciência menino.

 

Falou isso já quase azedando a polenta do dia. E desligou o aparelho já brabo e fazendo tensão de não agüentar o picuá cheio. Que toleima. Só por Deus. Nem duas horas se passaram, toca de novo o telefone ressoando pela casa toda.

 

-Pois não? – O Dr. Celso Pelissari sempre doce, terno, equilibrado, magno ao seu jeito todo moleirão.

 

-Dr. Celso, desculpe, é o Tareco outra vez.

 

-Sei, sei Tareco. Só podia ser. Só por Deus. Tá bem, tá bem. Você gostaria de saber a que horas o nosso querido Clube Atlético Fronteira vai abrir, não é mesmo?  Quer saber para você ir lá saracotear o esqueleto, tomar uns gorós, jogar bilhar com o Ricardo, comer uns salgadinhos, pinchar conversa fiada fora, não é isso, meu filho?

 

E o Tareco, hoje de saudosa memória, querido e doce como era, delicado e alto astral, tão gente fina respondeu ao seu jeito educado, todo trancham:

 

-Né não, Seu Doutor Celso. É que eu fui “despachar um telegrama” no banheiro masculino do clube, pois me deu um piriri caipora de lazarento, demorei muito e o clube fechou tudinho comigo aqui dentro. Quando eu finalmente me dei por mim, tava preso na parte inferior, sem nenhuma saída.  Tô ligando aqui do orelhão interno do clube, e gostaria de saber a que horas o sr vai abrir o prédio para eu poder me pinchar fora e ir pra casa dormir.

 

-0-

 

Silas Corrêa Leite (Poetinha, Fanático pelo CAF)

Continho da Série “Eram os Deuses Fronteiranos?”

E-mail: poesilas@terra.com.br

www.itarare.com.br/silas.htm

 

 

 

 

-

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por zanzes às 09h47
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Escrito por zanzes às 09h46
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"João, eu parti para sempre, cuide bem das crianças, são um pedaço do meu coração, não esqueço tudo o que fez por mim, você me deu até o que eu não tinha e eu? não passo de uma perdida, sei que não mereço o teu perdão, fugindo na minha idade, já pensou? caso me veja com o outro finja que não me conhece, louca! o que estou fazendo? aqui o último beijo da sempre tua - Maria."

 

Dalton Trevisan, do livro "99 Corruíras Nanicas", L&PM Pocket, 2002.



Escrito por zanzes às 23h47
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Manifesto literário do Grupo Silvestre

MANIFESTO SILVESTRE

- Em defesa da narrativa, do entretenimento e da popularização da literatura –



Nós, autodenominados “grupo silvestre”, signatários deste manifesto, apresentamos algumas propostas para a literatura brasileira contemporânea.

1. Em literatura, entretenimento não é passatempo. É sedução pela palavra.
2. Tudo é linguagem, mas a narrativa é a base da literatura. Uma história bem contada é o objetivo que perseguimos.
3. A ficção brasileira precisa ser acessível a uma parcela maior da população. O que não significa produzir narrativas pobres ou mal elaboradas. Rejeitamos o rótulo de superficialidade. Escrever fácil é muito difícil.
4. Os academicismos, jogos de linguagem e experimentalismos vazios não nos interessam. Respeitamos a produção que segue estes parâmetros, mas nosso caminho é inverso.
5. Estamos preocupados com a formação de leitores assíduos e frequentes para a ficção brasileira.
6. A literatura não pode se limitar a uma elite que dita regras, cria rótulos e se autoenaltece em resenhas mútuas, eventos e panelas.
7. O autor pode e deve se esforçar pela disseminação de sua obra, o que significa se envolver com a distribuição, o marketing e demais processos da produção.
8. Gostamos de enredos ágeis e cativantes. E valorizamos títulos que chamem a atenção do leitor e despertem a vontade de chegar até o livro.
9. Não colocamos o desejo soberano de ser lido como única origem do processo criativo. Mas queremos espaço para aqueles que têm tal desejo.
10. Apesar da tão apregoada diversidade da prosa nacional, uma parcela da crítica acadêmica dividiu-a em pólos antagônicos. Quem não é moderninho, é superficial. E ponto final. Rejeitamos esse maniqueísmo que produz distorções, afasta leitores e joga sua névoa sobre o mundo literário.

Pedro Drummond
Luiz Antonio Aguiar
André Vianco
Luis Eduardo Matta
Felipe Pena
Estevão Ribeiro
Thomaz Adour
Barbara Cassará
Halime Musser
Helena Gomes
Raphael Dracon
Ana Cristina Maia
Sergio Pereira Couto



(e convidados)


Escrito por zanzes às 22h08
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