Pesquise o nome do autor no Google E veja-o em quase 500 links E também no Orkut e mesmo no You Tube Silas Correa Leite Imagens & Palavras e Sons
Escrito por zanzes às 14h36
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A Solidão do Goleiro A solidão do goleiro Nos sete palmos de si mesmo O palco - e o inferno telúrico E ele ali guardião da meta Às vezes frangueiro, louco, pateta Às vezes mágico na desnatureza do gol evitado como se um milagre de tantas impossibilidades... A solidão do goleiro A contemplar o quadro inteiro Ele ali num contexto tão mínimo A tirar o doce do artilheiro O centro-avante que, se acerta é divino Sendo o goleiro apenas um destruidor de grandezas em esquemas com brilhantes táticas... A solidão do goleiro A pegar um pênalti que não existe Em cada lance ele é alvo de tiro E a frieza que na determinação insiste Porque é barreira; a agarrar ainda A bola lépida em um vôo mágico para evitar em cima da risca o gol do time adversário... A solidão do goleiro Num espetáculo de si mesmo e só Cada momento e ele a desatar o nó Tentando evitar o espetáculo da história Pois para ele zero a zero é goleada E assim pode garantir o placar para que seu atacante de outro lado faça o gol da vitória... -0- Poeta Silas Correa Leite – Corinthiano pela Própria Natureza de Ser Poeta – Poema da Série GARRINCHAS E-mail: poesilas@terra.com.br – Site: www.itarare.com.br/silas.htm
Escrito por zanzes às 14h31
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Elogie o Teu Inimigo
Elogie o teu inimigo Elogie-o deliberadamente Ele vai se sentir importante, vai baixar a guarda Abrir um flanco; o ego altamente motivado E assim finalmente ficará indefeso. Elogie o teu inimigo Ele vai deixar de se policiar a teu respeito Vai deixar de ficar imune com isso A vaidade e o orgulho atiçados Então sem saber ficará muito fragilizado E revelará a própria pequenez. Elogie o teu inimigo Ele vai achar que é perfeito, honesto, puro, verdadeiro Deixe-o por cima e que então se arvore, cresça, seja um alvo muito maior Dê corda; ele vai se achar o rei da cocada preta E o teu furor finalmente o predará pelo exercício de desfaçatez. Elogie o teu inimigo Faça-o se sentir o maioral Ele vai achar que o esqueceste Ou vai se sentir em pleno vigor No exercício da falsa pureza e falsa perfeição E um inimigo se achando é muito mais fácil de ser batido. Elogie o teu inimigo Deixe que perca o medo de ti Se bem que inimigos insensíveis temem elogiar adversários Não force a barra, elogie-o e deixe que tropece no próprio ego Achando que é o que não é; pensando que pensa Quando então a justiça se assomará e ele perderá a pose e a panca. Elogie o teu inimigo Ele vai se achar o dono da verdade O dono da situação, o sabe-tudo, o invencível, o maioral Não vai sacar que no passado teve de bens amorais E posses ilegítimas; fez coisas das quais deveria se envergonhar Desfrutou de poder e teve benefícios aéticos e inumanos... Por fim, elogie o teu inimigo e continue ativo e precavido, sempre alerta Lendo, estudando, pesquisando, escrevendo Eterno aprendiz da alma humana Quando te sentires transparente, irás captar inteiro e pleno E o teu inimigo cairá pelos próprios atos e pelas próprias pernas Então poderás seguir triunfante com a força de Deus que é justo Porque os teus inimigos são os teus referenciais de combate e evolução E tendo inimigos te manterás sempre alerta e sempre na ativa Teus inimigos de alguma maneira são teus professores Não faças o que eles fizeram de errado; não os siga como exemplos nulos ou camuflados E assim triunfarás, exatamente por causa de teus inimigos! -0- Silas Correa Leite E E-mail: poesilas@terra.com.br Site: www.portas-lapsos.zip.net
Escrito por zanzes às 14h29
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Macaquice O pai quis comprar um macaco Para criar em casa, conosco, comigo Desde logo paguei um mico Contrário que fui a essa empreita
Vi o macaco para ser vendido Numa gaiola atulhada de cascas O nome do bicho era Belchior Como o mal-tratava um cigano
Reinei, pus desconfio, o pai Então não comprou o animal (Por medo do bicho nos domar Fui contra e segurei coleira)
O pai em casa depois brincava Que eu era serelepe, como um sagüí Riram muito – para que outro Se sempre tive minha própria jaula?
Silas Correa Leite Email: poesilas@terra.com.br Blogue: www.portas-lapsos.zip.net
Escrito por zanzes às 14h27
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Escrito por zanzes às 14h26
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A Portentosa Poética Neohedônica-Tropical de Oleg Almeida no Diferenciado Livro de Poemas “Memórias dum Hiperbóreo” Por todos os Deuses! A poesia de Oleg Almeida tem uma vertente neohedônica-tropical que arrebata. A lira-delirante de um viajoso-peregrino, por terras do além-longe, onde ele se impregna-clarifica de um lirismo neohedônico que capitula telúrico em terras afro-tupí-davidicas. Será o impossível? Pois é! Hiperbóreo, do título, vem de como os gregos denominavam um povo que segundo eles moravam acima do vento norte. Pois um bielo-russo, o autor, Oleg Almeida comprou o mote e empreendeu viagens feito uma espécie assim muito bem agregada de gregonauta em terras brasilis gerais, tabuleiro-mosaico em que se cantando tudo há. Memórias-derramas? Devaneios-fugas? Exercícios de libertações? A arte como fuga-tronco? O Parnaso é o lugar que somos-estamos-permanecemos? Que vento varre as hélices da alma quando nos defrontados num descaminho do longe, se não sabemos que lar nos habita e que propriamente lar somos e estamos? Devaneios de sensibilidade. Alimentamo-nos de nossas neuras e as transformamos em versos e pólos rítmicos de versações? Que Estação Nada é um porto-lei? Remos em ventos: poemas. As aventuras ins/piram versos... Holderlin, o mágico de Hypérion no vestíbulo da prisão em que foi posto e condenado, acusado de loucura, quando exibia o mais alto grau de lucidez: “E no entanto tu brilhas, Sol! Terra sagrada, não cessas de reverdecer, o fluxo das torrentes escorre ainda para o mar, e no calor do meio dia a sombra das folhagens murmura ainda!”. Mares nunca dantes navegados? Por que mares, lares, bares e ares, segue a fluidez louca de Oleg Almeida? É difícil ancorar um navio no espaço, disse a poeta-suicida Ana Cristina César. Qual é a filosofia vivencial de Oleg Almeida? Aí tem poesia. Ai de ti vida errante! Poemas-crônicas, poemas-romances, retratos raros, poemas-historiais, poemas quadros cênicos, poemas e a paleta do olhar do criador trans/figurado. Que viagem é dar esqueleto estético a versos que ganham molduras em vidas, cores, tintas e panos, sentidos e consistências, a poética-texto que proseia o mar lusco-fusco entre a poesia propriamente dita e as memórias nem sempre tão doces, mas vertentes verdejantes de um ser como que enclausurado numa dor lancinante, quando se purga a escrever o derredor delas, antes, depois, e, pior, dentro delas: eis o livro. Para Holderlin, como para os gregos, um Píndaro, por exemplo, a arte é artesania. É o chamado mechané dos poetas antigos que Oleg faz macadames de idéias-poemas, de situações-conflitos-poesia, de narrações-poéticas que criam fundos, ermos, variações, dimensões que a leitura mergulha, bebe, rende harmonia. A poesia é exigência, diz Saint-John Perse. Pois no caso de Oleg Almeida é exigência de contar, narrar, descrever, arrancar, criar-se ainda assim da memória, verter-se, dar o que pensar em seio, berço, eio; e pinturas com magnífico nuance novidadeiro de punho e cunho clássico.“Olhai, ó Senhor, para mim Com vosso sorriso bondoso e complacente. Dai-me um pouco de luz olímpica; Perdoai a vontade insana De ler o final da história, antes que seja escrito, De quebrar, com alarde, a casca de noz sagrada E comer o miolo De penetrar o impenetrável” (in, pg 10, Poema Numeral UM) Essa é a poética de Oleg Almeida talvez neohedonista. Delirante. Delirante? Melhor: assustadoramente poética, viajosa, fora do normal – se é que normal quer dizer alguma coisa – sem títulos; numeradas, como páginas de rostos, capítulos de uma mesma epopéia a criar diários, registros, delações, visões, com/figurações. O molusco tirado da concha em bólides e desafios faz-se homem no escreViver... Hiperbóreo... E trabalha o verso que uni-(verso), o longe, o perto (o dentro), mais, a chaga do tempo, como se quisesse estar onde não está, e quisesse ser o que não pode ser, ou se quisesse escrever-se para refazer-se e incluir naquilo que lhe foi tirado, talvez o vento-tempo: “O tempo nos mata – Não a pauladas (...) mas à sorrelfa/Com rugas, doenças e cartas de despedida/Pouco a pouco.” O tempo e suas cartas náuticas-poéticas. Navegar/Escrever é preciso, existir não é preciso? “O azul foi a cor da infância Do lépido céu que servia de teto (...) Dos olhos de minha avó Das histórias por ela contadas (...) Foi o azul do menino (...)” (pg 21, in Verso V)
Assim é Oleg Almeida. Narrador-contador (cantador) que veste a roupa do que pensa, inventa, sente, e isso dói. Escrever é derrubar paredes? O Poema IX é lindo! Fragmento: “No dia em que morreste, meu velho (...)/De capa branca, imaculada, e de sandálias pretas/Que nunca usaras em vida/Tu foste embora/Seguindo o caminho que todos os homens igualaria nos seus direitos/O da eternidade.” (pg. 39). Alexandre Dumas, em suas Memórias, dizia que era um menino entendiado, entendiado até as lágrimas. Quando sua mãe o encontrava assim, chorando de tédio, perguntava-lhe: - E por que é que Dumas está chorando? Então o menino de seis anos respondia: - Dumas está chorando porque tem lágrimas. Os poemas hiperbóreos são as lágrimas hedônicas-tropicais de Oleg Almeida em peregrinação pelo mundo que re-descobre a cada ver-se? Ei-lo exatamente nu e lacrimal in versus: “Cheguei e, no meio do desespero/Vi todas as coisas, que conhecia desde o berço, ilesas/As flores a recamarem o teu sepulcro eram bonitas/O vinho tomado para coibir os prantos, gostoso/A lua recém-nascida, amarela/Mas tu não vivias/Ou tinhas entrado, talvez, nessas coisas/E nelas te radicarás/Virarás crepúsculos, raios e sons/Integrarás a natureza/Em cujas feições delicadas, daí para a frente/As tuas se encarnariam.” Bravo! Quadro cênico de pura poesia, a mortalha cênica de um olhar sensível-dor. As perdas (as ausências) alimentam sensibilidades lírico-meditativas que soçobram entre rumos, remos, resmas, iras e criações desta ordem. Que pátria é a infância? Que poesia é nossa cara-pátria? As caras e as coragens (e as fugas-devaneios) do mundo: “O mundo de hoje não se parece com nada (...) Aliás, eu também nada tenho de grego Tirante meu hedonismo mal-sucedido E as questões Quem sou eu? Donde venho? Aonde vou?!” (pg. 67 Verso XV) Ítalo Calvino dizia: “Entre os valores que gostaria que fossem transferidos para o próximo milênio está principalmente este: o de uma literatura que tome para si o gosto da ordem intelectual e da exatidão, a inteligência da poesia juntamente com a da ciência e da filosofia (...).” Oleg Almeida é um caótico itinerante? Já o dramaturgo e poeta Antonio Miranda diz que toda poesia é impura (...) e instaura-se no caos do qual não pretende se libertar... E sobre o escritor Oleg Almeida, o literato Antonio Miranda se manifesta verdadeiramente profético-poético: “Surpreendente o domínio da língua portuguesa por um poeta eslavo! Degusta as palavras e os sentidos em poesia que linda com a prosa, de forma direta, confessional, sutil mas, ao mesmo tempo, incisiva. Aposto no talento dele.” Feito um Homero querendo voltar para casa, Oleg Almeida procura o que se pode chamar de seu – entre sangue, suor e criação - de casa (o que se pode chamar de lar?); lar, lugar, estar, ser, origem, raiz, talvez despertencimento - ele mesmo a sua própria casa-lugar/ser, o próprio verbo caminhar (fazer a casa), assim, luz e lágrima – e verso. Zeus ajuda quem cedo se aventura? O tempo o que é? Tempo-palhaço (até no circo das idéias poéticas), ladrão de mulher, ladrão de nós mesmos, acima dos ventos, das peregrinações ilusórias, dos ícaros, quando o próprio farol de Alexandria pode ser apenas um ponto de exclamação acima das nuvens-ventos, indicando idas e vidas como lugares nenhuns, o ser feito vinagre na peregrinação-purgação como alma-andaluz. O lar divino é aquele em que nos deixamos; lastro e rastro, estrelas e trilhas, ilhas e edições de. Vinho, chocolate, recordação, prazer, status paradisíaco de ser-estar-permanecer-continuar! Carpe Diem. E Poesia, claro, porque Oleg Almeida, filosófico e lingüístico, feito um novo Odisseu pós-moderno (e pós tudo?) faz a sua própria diferença: aventurar-se. Eis o repertório no verbo VIVER se encantando no umbral de novas ilíadas vivenciais e parnasos boêmios consagrados a Orfeu. Colocando poemas-viagens no poetar as buscas de si mesmo, hiperbóreo. Escrever é compor a solidão de poesia/Para ter companhia? Ah a dura viagem de existir! Não somos todos Ulisses? Silas Correa Leite
Escrito por zanzes às 14h23
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Poeminho: Passei a minha infância em Itararé/Toda minha inocência lá/De vez em quando o pai se mudava para Harmonia, Monte Alegre, Paraná/E era eu me despossuindo de mim.!/Cresci num quintal florido em Itararé/Toda minha pureza lá/Ali eu era a laranjeira, o pessegueiro, canteiros e bosques - e a sabiá/Enquanto eu tomava posse de mim!/Um dia tive que me exilar de Itararé/(-Deixe a sua adoslescência e vá!)/E vim atrás do sonho como se São Paulo fosse minha Pasárgada ou Shangri-lá/-Era eu me desfazendo de mim... (SCL, Desfazimento) – www.portas-lapsos.zip.net. E-mail: poesilas@terra.com.br
Escrito por zanzes às 14h29
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