Corvo Azul da Cor do Céu Há uma procissão de milhares de mães nas ruas incendiadas Com altas tochas acesas, com machados afiados com palavras de gelo Vestindo peles de raposas, de cervos, de rinocerontes, de leões Procurando pelo louco com asas nos pés que castrou seus filhos queridos Babando sangue as mães querem justiça a todo custo Mais, com arames fardados enferrujados nas rotas vestes puídas Querem vinganças dantescas, as mães Os pobres pais, amarrados às janelas das casas entre guaritas E cercas infinitas de pedras sagradas Ainda desesperados assoviam tristes blues esquizofrênicos As irmãs, que sobreviveram cortam os rostos alvos Com espinhos secos de rosas rubras de outra dimensão E há ainda um pastor cego que tosa o cordeiro verde com lágrimas santas nos olhos E há também, como uma profecia intraduzível, o corvo azul da cor do céu Que num galho cadavérico da velha arvore seca quase marmórea Tem tripas de humanos vazando pelos bicos Bicos insanos em forma de grampos De serras e de nuvens com relâmpagos de sangue inocente. Silas Correa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br www.ports-lapsos.zip.net
Escrito por zanzes às 15h17
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