Poeminho Para a Natally Saudade é uma ausência de estar Nunca mais do mesmo? Pois é, o que esquecemos agora, no futuro nos esqueçerá Familia é a grande espécie humana? A vida um livro aberto, livro-pai, livro-mãe, livro-tio Você também um livro-filho, livro-aluno, livro maria cebola? Pois é, páginas só são fechadas com lágrimas O não ver não é sentir; mostrar-se é tocar com a mão a pele do íntimo Um dia também nos esqueceremos de nós Só somos um pelo contexto sócio-espiritual Você escolhe ser esquecida. Amar é sempre Produza tudo agora, o que você quer ser e receber no futuro A doença, a luz, a paz, a saudade, a ausência, o vazio Amar é só não ser ausente Construir a nossa própria porta parta um não-lugar A tristeza é a chave Solidão de princípios e incompletudes Silas Correa Leite Improviso de quase jazz para uma quase alunafilha ausente E-mail: poesilas@terra.com.br
Escrito por zanzes às 14h14
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Pirilâmpado “Ninguém pode pensar, sentir ou agir Senão a partir da própria alienação...” R. D. Laing Se quero sobreviver preciso esquecer que meu corpo é uma carcaça. Uso as palavras para recompor minha vida exangue. Tento compreender o absurdo da existencialização. Prezo a morte e leio escombros na angústia-vívere. Tenho em mim a decadência-preço de Existir. Não fui aparelhado espiritualmente para suportar a vida. Minha infância pobre é o mundo que trago às costas como uma lesma com carcova. Sou um renunciante à vida que respira a tristeza no caos. Amo os silêncios porque deles tiro filés de santas palavras. Caibo em despertencimentos, desabandonos e desespelhos com a consciência saturada. Minha palavra é a minha voz como o estertor de um vagido. Existir dói e faço doer os engenhos e açudes das palavras. Uso as esporas das palavras em verso e prosa para refazer a vida que me deram como uma sentença-castigo. Se eu escrever ansiedades perdoem o inexato corte de pelica da dor em mim lavrada. Não tenho fórmulas para escapar ileso e não estou impune. Sou um bebedor e comedor de verbos feito um Pirilâmpado. Dou ciência de mim aos efêmeros insensíveis como potes de vísceras. Não me leiam se não querem se assustar de serem a si mesmos revelados como carcaças em espelhos turvos. Sou por acaso aqui e ali uma espécie de rebrilux. Os gemidos de noiteadeiro falam por mim, me descrevem. Palavras me são remédios. Correm no meu sangue. Regurgito. Como se adubos de palavras em ordinárias bateias de granizo. Sou inventariante de angústias humanas, escondo-me em bibliotecas E bebo de lanhos de meu próprio sangue letral Envenenando-me da dura e triste carcaça Sobrevivencial. -0- Silas Correa Leite, Itararé-SP E-mail: poesilas@terra.com.br
Escrito por zanzes às 15h48
[]
[envie esta mensagem]
[link]

E AINDA PERGUNTAM Para Rubens Vieira Barbosa, Itararé-SP ...e ainda perguntam se eu sou médium respondo que sou pleno e inteiro... ...e querem saber a minha religião mostro a mão aberta e a alma estendida ...e queriam que eu fosse pastor sou agora um pastor de poemas ...perguntam se eu enxergo no escuro enxergar no claro é ser do claro ... e querem saber porque sei o que sei eu não sei como sei só sei que sei ...e ainda querem saber porque crio tanto a ficção-angústia que fuga é? ...e ainda perguntam por que tanto amo Itararé para inscrevê-la na consciência do mundo ...perguntam se eu sou louco que loucura é ter sensibilidade? e ainda perguntam se eu sou poetna então expludo o vulcão criativo e quem quiser que conste ostras -0- Silas Correa Leite – Santa Itararé das Letras www.campodetrigocomcorvos.zip.net E-mail: poesilas@terra.com.br
Escrito por zanzes às 19h05
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Não Posso Exigir de Ninguém Não posso exigir de ninguém O amor que eu não tive, o amor que eu não dei Não posso cobrar de ninguém O que cobraram de mim e não respondi a contento Não posso exigir de outro O que não exijo de mim mesmo Não posso querer parecer o que não sou Pois nem mesmo sei o que exatamente pareço Não posso querer ser um anjo Pois posso parecer mais demônio com a presunção Não posso querer ser livre se não sou Sou um livro mas aberto na página errada da vida Não posso me dizer dono da verdade Porque a verdade é universal e sem dono Não posso querer ser filho de Deus se não pareço E o que pareço mais se aproxima do pouco humano Não posso querer saber o que não sei E se nem mesmo sei porque sei o que me cabe Não posso querer voar sem perder lastro E o peso de existir sempre nos leva pra baixo Não posso querer aprender técnicas de vôos Pois seria um tratorista querendo dirigir helicóptero Por fim, não sabendo nada, nada de mim Sou esse que escreve; eterno poeta aprendiz assim -0- Silas Correa Leite – Santa Itararé das Artes E-mail: poesilas@terra.com.br www.portas-lapsos.zip.net
Escrito por zanzes às 19h01
[]
[envie esta mensagem]
[link]

 Não Posso Exigir de Ninguém Não posso exigir de ninguém O amor que eu não tive, o amor que eu não dei Não posso cobrar de ninguém O que cobraram de mim e não respondi a contento Não posso exigir de outro O que não exijo de mim mesmo Não posso querer parecer o que não sou Pois nem mesmo sei o que exatamente pareço Não posso querer ser um anjo Pois posso parecer mais demônio com a presunção Não posso querer ser livre se não sou Sou um livro mas aberto na página errada da vida Não posso me dizer dono da verdade Porque a verdade é universal e sem dono Não posso querer ser filho de Deus se não pareço E o que pareço mais se aproxima do pouco humano Não posso querer saber o que não sei E se nem mesmo sei porque sei o que me cabe Não posso querer voar sem perder lastro E o peso de existir sempre nos leva pra baixo Não posso querer aprender técnicas de vôos Pois seria um tratorista querendo dirigir helicóptero Por fim, não sabendo nada, nada de mim Sou esse que escreve; eterno poeta aprendiz assim -0- Silas Correa Leite – Santa Itararé das Artes E-mail: poesilas@terra.com.br www.portas-lapsos.zip.net
Escrito por zanzes às 19h00
[]
[envie esta mensagem]
[link]


Crítica
“O Homem Que Virou Cerveja”, Livro Premiado de Crônicas de Silas Corrêa Leite
Depois de finalista do Prêmio Telecom de Portugal, com seu livro de contos premiados ‘CAMPO DE TRIGO COM CORVOS´, Editora Design, Santa Catarina a venda na www.livrariacultura.com.br, Silas Correa Leite, o tachado de “O Neomaldito da Web” (pelo site Capitu), com bela entrevista polêmica num dos últimos Programas “Provocações” da TV Cultura (SP) do Antonio Abujamra (o vídeo está fazendo sucesso no YouTube como Poeta Silas C. Leite), está lançando agora o livro de “crônicas hilárias de um poeta boêmio”, chamado ‘O HOMEM QUE VIROU CERVEJA´, Giz Editorial, SP, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador, Bahia. A obra traz a famosa crônica de humor que nomina o novo livro, entre causos (de Itararé, é claro!), croniquetas diversas (sobre Mania de Banho, Fanático Por Bar, Baristas), entre um e outro tributo à boêmia; acontecências engraçadas de Santa Itararé das Letras (como ele mesmo diz) e de Sampa, onde o autor exilado de sua terra-mãe reside (no Butantã). Contações do arco da velha, e ainda o belíssimo texto “A Voz da Filha Que Não Houve” (foi vertida para o espanhol por um site aí, e ficou ainda mais belamente triste), e mesmo a tal da Declaração Universal dos Direitos dos Boêmios que é um destaque nas infovias da web, tão criativo texto quanto o próprio Estatuto de Poeta que corre a rede da net vertida para o espanhol e inglês, e que constou no livro Porta-Lapsos, Poemas, Editora All-Print, SP. Da “Poética da Tristeza”, como na polêmica entrevista ao Provocações, em que o autor soberano driblou o Mefisto do Abujamra, passando pelo e-book de sucesso O RINOCERONTE DE CLARICE, primeiro livro interativo da rede mundial de computadores, tese de doutorado na UFAL, novamente Silas Correa Leite surpreende pela peculiaridade, estilo, domínio da escrita, fluência, desta feita paradoxalmente em alto astral, onde, irônico, traz um sortido de historiais, ainda com crônicas apimentadas de sensualidade em relações humanas extremamente mais realistas do que propriamente afetivas, verdadeiras narrativas pra boi dormir (no caso, cair nos risos ao lê-las), entretendo, revelando essa nua nova face de Literato contemporâneo que muito merecidamente por certo já o é. Quer saber? Basta buscá-lo num site como o Google, e você vai achá-lo em tudo quanto é lugar, quase 500 links. Com tantos prêmios de renome, vários livros, constando em mais de cem antologias literárias em verso e prosa, até no exterior, é de se esperar de Silas Correa Leite, a cada novo livro, uma mostra de sua lucidez e qualidade lítero-cultural. O Livro O HOMEM QUE VIROU CERVEJA esteve na estande da Giz Editorial, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro (Setembro 2009), e tornou-se uma espécie de fechamento de ciclo do escritor premiado, poeta, ficcionista, resenhista, crítico, preparando-se para outros novos voos, outras obras impressionantes, surpresas letrais, trabalhos diferenciados, acima da média e sempre contundentes, altamente criativos com imaginação fora de série, no caso deste livro O HOMEM QUE VI VIROU CERVEJA, literalmente fora do sério... Aliás, o autor, que acompanho faz tempo (trabalho uma tese sobre sua importância na nova literatura brasileira), já tem um romance “aprovado” por uma importante editora da grande São Paulo, um sendo avaliado por uma editora emergente do sul, está preparando ainda outros livros, como um novo de poesia, um novo de contos, um sobre vivências na educação pública, talvez um já sobre Fortuna Crítica, alguns infantis ou infanto-juvenis, todos em surrealismo ou realismo fantástico, enquanto em tantos blogues divulga suas letras-de-rock-poemas, entre tantas baladas e blues que compõe e que ainda permanecem inéditas em gravações. Almeida Fischer disse: “Um escritor se firma e permanece na lembrança de seus contemporâneos especialmente em função de sua inventiva, de sua técnica, de sua linguagem e/ou do seu poder renovador”. Silas Correa Leite é exatamente isso; é assim, quem o conhece fica só sondando qual a própria criação a tirar da cartola de sua mente. Não vem fazendo sucesso por acaso. Não vem sendo entrevistado ou reportagem na chamada grande mídia porque escreve água com açúcar. Muito pelo contrário. Como ele tem apenas 57 anos, entre palestras, críticas sociais, ensaios e outros trabalhos em verso e prosa, não é de surpreender que o tal do “neomaldito da web” vire mesmo pop e cult, talvez entre para uma academia de letras, ou seja reconhecido por uma grande editora que banque sua obra de grosso calibre, porque é um escritor que tem muito o que produzir, criar, encantar. -0- Antonio T. Gonçalves SP – E-mail: tudotito@zipmail.com.br
Escrito por zanzes às 14h10
[]
[envie esta mensagem]
[link]

|