
Lona podre, nacos de carne, torsos caindo; escuras mariposas (stukas) caindo; sirenes, uma canção. Bater nos cornos do céu, capricórnio adoece em luzes de urina; olhos blindados; cano de fuzil apontado para a lua. Esferas ou cilindros de cérberos; o aço grunhe; rajadas de agni; fogos-fátuos; bocas lanhadas por detritos. Há um pássaro de três cabeças, e um só canto; uma jovem nua flutua no céu. Emily pediu um livro (borboleta voando) de gravuras coloridas (sonhada por um chinês), com capa veludosa (desejada por um gato) e marcador de páginas (com bigodes de mandarim). Ela, que ama peônias, biombos, nanquins, e sonha ser enfermeira num grande hospital em Berlim. Ela, que ama o verde mar de gaivotas, e a prata que cintila nas peças do aparelho de chá. Isso foi há quanto tempo? Havia um piano de cauda e lenços brancos, pedaços de carneiro e o pôr-do-sol. Agora, só há o verde-prata, ou verde-escuro, verde-panther; na boca do dragão. (Como um livro) (de figuras) (metálicas;) (imagens) (d’esqueletos) (turvos;) (surdos) (espectros) (em sarabanda,) (invernal.) Palavras zumbem na mente; difícil caminhar com o peso do mundo. Este é um tempo sombrio, tempo da impureza, do branco mesclado ao amarelo. Lao Tzu rumou para o Sul, montado num touro, búfalo ou grou. O guarda da fronteira pediu-lhe sua inútil sabedoria. (Poema do livro Fera Bifronte, de Claudio Daniel. Bauru: Lumme Editor, 2009)
Escrito por zanzes às 19h58
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Macaquice
O pai quis comprar um macaco Para criar em casa, conosco, comigo Desde logo paguei um mico Contrário que fui a essa empreita Vi o macaco para ser vendido Numa gaiola atulhada de cascas O nome do bicho era Belchior Como o mal-tratava um cigano Reinei, pus desconfio, o pai Então não comprou o animal (Por medo do bicho nos domar Fui contra e segurei coleira) O pai em casa depois brincava Que eu era serelepe, como um sagüí Riram muito – para que outro Se sempre tive minha própria jaula? Silas Correa Leite Email: poesilas@terra.com.br Blogue: www.portas-lapsos.zip.net
Escrito por zanzes às 12h05
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Para Onde Vão os Poetas Quando Morrem Cedo Para Rodrigo de Souza Leão, In Memoriam “Começar o escrever era descrever/ Descrever era desmanchar o que está escrito/ O que estava à vista parado/ No pensamento, no jardim/ E reescrever, de outra forma/ Em outra fôrma/ O novo curso e rasgo./ Escrever é desespera e espera...”/ Armando Freitas Filho In, Lar, Poemas, Companhia das Letras Para onde vão os poetas quando morrem jovens? Para uma Terra do Nunca muito além de Pasárgada? Para uma Shangri-lá das esferas letrais Um desmundo na órbita das sensibilidades apuradas? Para uma cidade fantasmas de sígnicos humanos Em que há uma toda nova preparação para um revisitar-se? Para onde vão os poetas quando morrem cedo? O que é cedo ou tarde para o macadame das almas literais E o espírito dos atribulados no caos telúrico Entre o esquizofrêmito de criar um novo céu e uma nova guelra Porque a insatisfação generalizada reina e viça Nas infovias efêmeras que disparam solidões em concreto Tirando impurezas do teclado e rangendo o rancor além da rede? Para onde vão os poetas quando piram letras Ferindo-se para escreverem com sangue dívidas e dúvidas Muito além das cantagonias urbanas e das saciedades liriais Quando tudo é só um grito de horror e os sonhadores sofrem Como zumbis numa sociedade bizarra de bezerros com chips Mais os sem-nome, sem-terra, sem-teto, sem saída, sem amor? Para onde vão os poetas que se escrevem em dolorosos banzos-blues E disparam torpedos de uma geração-teflon entre placas-mães Tentando recuperar estimas que são lágrimas a seco Num Brasil Sociedade Anônima em que a cultura é nicho De neomalditos, de excluidos da mídia, de sonhadores sem grife? Porque escrever é resistir; é dar forma a uma não-formalidade Como se cada um gritasse seu grito individual, solitário, feito um indigente Que procurasse pólvora na poesia, fósforo na fé, carbono nas tintas íntimas Tentando refazer o próprio mundo muito além das placas de captura E onde a própria realização é morrer para dar-se a ouvir como um eco num abismo? ............................................................................................................... Para onde vão os poetas quando jovens e quando e morrem cedo? Talvez um silêncio explique a perda, o vazio, a dor de existir Entre regras falsas, deturpações sociais, tristes vazios culturais Porque a morte é um protesto, uma fuga, o mais triste poema que existe E sendo a saudade a mais pura forma de amor que resiste também é Um grito contra as dilacerações transformadas em linguagens contra a própria indiferença... -0- Silas Correa Leite, Itararé-SP E-mail: poesilas@terra.com.br www.portas-lapsos.zip.net Autor de O HOMEM QUE VIROU CERVEJA, Crônicas, no prelo, Giz Editorial, SP 
Escrito por zanzes às 18h05
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Programa número 421 Muito descontraído, Tuca Andrada vem ao Provocações para contar um pouco sobre sua carreira, nos palcos, nas telinhas e telonas, seus pensamentos e sobre a vida.
Nosso convidado saiu do Recife aos 21 anos já pensando em brilhar como ator. Muito modesto, não se acha totalmente consagrado, diz que ainda tem muito para aprender. Como a maioria dos atores multimídia, ele prefere muito mais o teatro à outras mídias, segundo ele, quando está no palco, entra em transe e se sente em um templo onde ele mesmo se encontra e encontra o público. Mesmo fazendo muita televisão, nos confessa que poucas vezes a TV o deixa contente. Não sabe definir o que o teatro representa para ele, mas solta uma frase muito interessante: "Meu trabalho se desmancha no ar quando eu saio do palco."
Como um bom pernambucano, suas influências são totalmente nordestinas, mas é apaixonado pelo público do sudeste. Adora a fidelidade do público paulista e acha muito necessário a crítica dos cariocas.
Uma de suas consagrações no teatro foi vivendo o personagem de Orlando Silva, o cantor das multidões. Segundo Tuca, este cantor definiu o canto moderno no Brasil, e mesmo o artista homenageado sendo tão importante, diz que não foi nada fácil produzir a peça.
Tuca Andrada conta ainda muitas histórias sobre a vida e a carreira, confiram no próximo Provocações.
Convidados: Tuca Andrada [ saiba mais ] Ator
Vozes das ruas: Vale comer de tudo para sobreviver!
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Textos e Poesias: - Silas Correa Leite [ leia e ouça ]
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Escrito por zanzes às 11h21
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